Publicações

Otávio / Octauĭus
Marco Túlio Félix

Bilíngüe latim-português

Edição traduzida integralmente do latim pelo Prof. Luiz Fernando Dias Pita, com introdução e comentários.

O Otávio é um diálogo apologético cristão, escrito em latim provavelmente no final do século II ou início do III. Estruturado à maneira ciceroniana, o texto apresenta uma conversa entre três personagens: o pagão Cecílio Natal, o cristão Otávio Januário e o próprio Minúcio Félix, que atua como narrador e mediador.

A obra desenvolve-se como um debate filosófico sobre a religião cristã. Cecílio expõe as acusações tradicionais contra os cristãos — ateísmo, imoralidade secreta, superstição, irracionalidade. Em resposta, Otávio oferece uma defesa racional do cristianismo, argumentando a favor do monoteísmo, da moral cristã e da superioridade espiritual da fé sobre o paganismo. O tom é sereno, elegante e profundamente influenciado pela retórica clássica, especialmente por Cícero.

Um dos aspectos notáveis do Otávio é sua estratégia apologética: o autor evita citações explícitas da Escritura e privilegia argumentos de razão natural e filosofia moral, buscando persuadir leitores cultos do ambiente romano. O cristianismo aparece como cumprimento da verdadeira filosofia, e não como ruptura irracional com a tradição intelectual antiga.

A obra termina com a conversão de Cecílio, simbolizando a vitória da razão cristã. Pelo seu estilo refinado e sua forma dialogal, o Otávio ocupa lugar destacado entre os primeiros textos apologéticos latinos, ao lado de autores como Tertullian.

Trata-se, portanto, de um testemunho precioso do momento em que o cristianismo começa a dialogar com a cultura clássica romana em seu próprio idioma literário.

Germânia: Sobre a origem e localização dos Germanos /

De origine et situ Germanorum

Públio Cornélio Tácito

Bilíngüe latim-português

Edição traduzida integralmente do latim por Pablo Guimarães, com introdução e comentários.

A Germânia (título completo: De origine et situ Germanorum) é um tratado etnográfico escrito por Tácito por volta do ano 98 d.C. A obra descreve os povos germânicos que habitavam as regiões além do Reno e do Danúbio, fora do domínio direto de Roma.

O texto divide-se em duas partes principais. Na primeira, Tácito apresenta um panorama geral da geografia, dos costumes, da organização social e da religião dos germanos. Destaca sua suposta origem comum, sua vida simples, o apreço pela liberdade, a coragem militar e a severidade moral — contrastando implicitamente essas virtudes com o que ele percebia como decadência da sociedade romana.

Na segunda parte, o autor descreve diversas tribos específicas, suas localizações e características próprias, traçando um quadro variado do mundo germânico. Embora baseado em relatos indiretos (pois Tácito provavelmente nunca visitou a região), o texto combina observação histórica, reflexão moral e intenção política.

Mais do que um simples estudo etnográfico, a Germânia funciona também como espelho crítico de Roma: ao exaltar certas qualidades dos povos “bárbaros”, Tácito sugere uma crítica velada à corrupção e ao luxo do Império. A obra tornou-se, séculos depois, texto de grande influência na construção de identidades germânicas e na historiografia europeia.

Lições Preliminares de Filosofia: Introdução ao método da vivência filosófica
Manuel García Morente

Edição integral.

Tradução: Pablo Guimarães

Acima de tantas obras que expõem sob a forma de doutrinas cristalizadas as escolas filosóficas num palavreado vazio de sentido efetivo, as Lições Preliminares de Filosofia são uma obra ímpar no ensino de filosofia, pois privilegia o mergulho na vivência dos problemas e conceitos que inauguraram a atividade filosófica, destacando os momentos memoráveis da filosofia em seus dois mil anos. E não foi por mera escolha estilística que García Morente elegeu essa abordagem, mas sim por compreender que a filosofia é uma prática, um domínio da inteligência que necessita ser vivido. Esta é sua chave pedagógica.

O que o autor concebe sob o termo vivência é simplesmente o instrumento da razão humana conhecido na tradição filosófica como intuição. Com ela, García Morente enfatiza o treino e refinamento da intuição que o homem comum tem em seu dia-a-dia, tomando-a em suas diversas modalidades na história do pensar filosófico.

As jornadas pelo território filosófico conduzidas pelo mestre Manuel García Morente constituem um convite personalíssimo à vivência da busca filosófica no que esta tem de essencial: a busca pelo conhecimento fundamentado. Desse modo, o autor apresenta os problemas que o aprendiz precisa experimentar sob a forma dramatizada (individual) da busca intelectual – para além das fórmulas conceituais prontas e transmitidas de forma mecânica no ensino formal da filosofia –, a única forma possível para o verdadeiro filósofo.

O que García Morente propõe ao público é a rejeição à assimilação conceitual vazia, em favor da busca pessoal por meio da meditação dos problemas filosóficos historicamente formulados em conceitos, os quais só têm valor filosófico genuíno se examinados em seus fundamentos intuitivos por cada um de nós. Este exame – e somente ele – é o que pode nos conectar à tradição filosófica.

O conjunto das Lições Preliminares de Filosofia, apresentado pela primeira vez em língua portuguesa em sua tradução integral, constitui um patrimônio pedagógico, filosófico e cultural de estatura universal legado a nós pelo Gênio imortal da Escola de Madri, testemunho do espírito vivo da tradição pedagógica da pequena, mas grandiosa, Península Ibérica, que iluminou no passado este Continente e à qual devemos o melhor de nossa formação como povo livre e herdeiro da língua de Camões.

A Arte de Escrever Ficção
Edith Wharton

Edição integral.

Tradução: Pablo Guimarães

O que distingue um romance que perdura de uma narrativa apenas engenhosa? De que modo a experiência humana se converte em forma literária sem perder sua verdade interior? Em A Arte de Escrever Ficção, Edith Wharton enfrenta essas questões com a autoridade rara de quem não apenas refletiu sobre a arte do romance, mas a exerceu em seu mais alto nível.

Longe de oferecer receitas ou fórmulas, este livro reúne ensaios em que a autora examina os princípios fundamentais da narrativa – a composição, o ponto de vista, a relação entre tema e forma, o papel da imaginação e da disciplina – sempre a partir de exemplos concretos da grande tradição literária. O texto de ficção surge aqui não como produto de improvisação ou mero talento espontâneo, mas como obra de arquitetura rigorosa, em que cada escolha formal participa do sentido final.

Publicado originalmente em 1925, A Arte de Escrever Ficção permanece atual por sua clareza intelectual e por sua recusa a modismos. Trata-se de uma reflexão madura sobre o ofício do escritor, mas também de uma leitura indispensável para todo leitor interessado em compreender, com maior profundidade, como se constrói uma obra de ficção duradoura.

Mais que um manual, este livro é uma lição de gosto literário, lucidez crítica e respeito pela forma – escrita por uma das maiores romancistas da língua inglesa.

Manual de Teoria da História
Johann Gustav Droysen

Edição integral.

Tradução: Pablo Guimarães

Minha Vida no Tempo: Genealogia para crianças
Pablo Guimarães

Dom Bosco Educador: Contribuição para a história do pensamento e das instituições pedagógicas
Padre Dr. Vincenzo Cimatti

Tradução: Padre Luiz Marcigaglia